Francisco Gaspar — Head of IT da WineStone Group
Francisco Gaspar, Head of IT da WineStone Group, fala sobre a transformação digital no setor vitivinícola. Da sonoplastia de rádio às telecomunicações e ao Grupo José de Mello, partilha o que aprendeu sobre comunicação, liderança e foco na solução. Conversamos também sobre a autonomia tecnológica da WineStone, inteligência artificial, cibersegurança, automação e o equilíbrio entre inovação e tradição.

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- #transformação-digital
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- #setor-vitivinícola
- #inteligência-artificial
- #cibersegurança
Chapters
- 00:00O percurso da rádio ao vinho
- 01:58A experiência na Jazztel
- 04:1123 anos no Grupo José de Mello e a criação da WineStone
- 05:10Operação autónoma e migração de datacenter
- 06:26Tecnologia num negócio tradicional
- 09:04Liderança 360º e disponibilidade
- 11:32Gestão de tickets e feedback
- 16:21Inteligência artificial: governança, produtividade e segurança
- 22:07Cibersegurança e resposta a vulnerabilidades
- 28:57Automação e dependência tecnológica
- 39:14A magia do vinho e a inovação para novas gerações
- 46:38O cenário ideal da transformação digital
From the recording
Episode notes
Tecnologia no setor vitivinícola
A experiência de Francisco Gaspar começou na sonoplastia de rádio e passou pelas telecomunicações antes de chegar ao Grupo José de Mello. Neste episódio, explica como a comunicação, o trabalho em equipa e o foco nas soluções continuam a orientar a sua gestão de tecnologia na WineStone Group.
A conversa aborda a autonomia da operação tecnológica, a utilização responsável de inteligência artificial, a rapidez de resposta em cibersegurança e os riscos de criar dependências com a automação. No cenário final, Francisco defende uma transformação digital que avance com capacidade interna para sustentar as soluções e respeite a cultura do negócio.
Transcript
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00:05Fábio Gomes:Francisco. Bem vindo à última Decidir. Obrigado, Fábio. Olha, o teu percurso. Começou na rádio, passou pela tecnologia e chegou agora ao mundo do vinho. Quando olhas para trás, tu vês três vidas diferentes ou competências aplicadas no mesmo sentido de tecnologia.
00:21Francisco Gaspar:Nunca saiu, nunca saiu. O facto de estar agora num negócio vitivinícola. Estou ligado. É exactamente a mesma área que estava há 23 anos e hoje com funções diferentes e com responsabilidades diferentes. Mas a tecnologia já faz parte de mim. É algo que me tem acompanhado desde o início, mesmo na rádio, quando comecei esse esse bichinho que nunca sai de nós.
00:48Francisco Gaspar:Ainda há pouco estavas a falar aqui em antes de começarmos esta entrevista e de facto é algo que ficou para sempre. Tanta que o foram os ensinamentos, a forma de trabalhar em equipa, aquilo que era o termos objectivos para cumprir e não pensarmos no problema, mas sim na solução, que é o que acontece hoje em dia. Vem muito daí.
01:09Francisco Gaspar:Essa escola, como se costuma dizer na rádio hoje em dia uso a todos os dias e nas minhas funções. É preciso ter essa capacidade, a capacidade de olharmos para a solução, não para o problema e pensarmos nas pessoas como é que chegamos às pessoas que é muito também comunicação e muitas das vezes a principal. Por isso, ao ponto de falha, é de facto a forma como nós comunicamos para termos sucesso num projeto, para termos sucesso numa aplicação, para termos sucesso num processo de negócio antiga.
01:40Francisco Gaspar:E é muito isso. E esses é a CV Crown que a rádio me deu e que eu agradeço muito e que é que é algo que me orgulha todos os dias. É de facto a chave daquilo que são as suas funções de hoje. É a forma como eu trabalho no dia a dia.
01:56Fábio Gomes:Tu passa na rádio?
01:58Francisco Gaspar:Eu estive a trabalhar em rádio, provavelmente até há 23 anos atrás. Tanto, mas tanto 24 depois tive, depois de ter saído, que fiz sonoplastia. Foi a minha única e última função que tive em rádio. Mais umas rubricas que fazia relacionadas com tecnologia. Tinha umas rubricas diárias já na altura que falava de internet e de computadores. Depois fui para a Jazztel, tanto que tive cerca de um ano, um ano e meio na Jazztel.
02:31Francisco Gaspar:Tanto, não sei se se recordam, foi um operador de telecomunicações em Portugal com origem espanhola. Ali em Alcântara, onde hoje é a AR Telecom, operadora de telecomunicações. Depois da Jazztel passei para a one way tanto outro projecto de telecomunicações que acabou por não arrancar tanto. Foi daqueles projectos que nós demos tudo, literalmente tudo. Tanto. Instalámos um operador de A a Z.
03:00Francisco Gaspar:Hoje, que era uma equipa muito grande, tinha acionistas como EDP, na altura acionista de referência, mas depois não arrancou tanto. Foi um balde de água fria na altura em que do meu lado eu era responsável por instalar as lojas da one way no país todo. Portanto, a marca era V+, salvo erro, se não me falha a memória. Sim, cor de rosa e era inovador já na altura era um projecto muito interessante, por isso mesmo tentei aquilo que iria fazer no mercado e fazer mossa aos outros operadores e provavelmente foi por isso que o projecto não acabou por não arrancar.
03:39Fábio Gomes:Mas houve investimento.
03:41Francisco Gaspar:Houve investimento, então tudo funcionava. Nós tínhamos telemóveis da Vivo, no entanto, só que só funcionavam dentro da própria rede e que os outros operadores não permitiam a interligação. Aquilo arrastou se uma série de tempo. Estava tudo pronto para arrancar, lojas prontas para abrir tecnologia de ponta a funcionar e, no entanto, acabou por haver aqui um andar onde creio desse projeto, usando assim uma linguagem mais técnica.
04:09Francisco Gaspar:E foi nessa altura, quando este projecto terminou, que que fui para o grupo José Manuel Pinto, há 23 anos atrás, para a holding n 24 Julho e entrei com com funções perfeitamente normais ligadas à tecnologia, suporte, migração de sistemas e fiz o meu percurso dentro do grupo. Ainda serve tanto? Mais recentemente, há cerca de três anos atrás, e porque acompanhei este negócio vitivinícola desde o início, praticamente desde da primeira vindima.
04:41Francisco Gaspar:Conhecia todos os processos, conhecia a tecnologia, as aplicações, as pessoas. Fui convidado para ser responsável por autonomizar aquilo que era o negócio vitivinícola do ponto de vista de tecnologia e sistemas, tendo foi um processo de migração de tudo aquilo que nós tínhamos em serviços partilhados. Porque a José de Mello tinha tanto um datacenter que era partilhado com várias entidades, normalmente aquelas entidades mais pequenas que fazem parte do grupo.
05:10Francisco Gaspar:Chega uma altura que é necessário ganhar asas e voar e foi nessa altura que que eu entrei. Constituímos equipa, migramos tudo aquilo que tínhamos neste datacenter, criámos o nosso próprio datacenter e arrancámos. Portanto, salvo erro, em Dezembro, tanto de 20 24, exatamente em Dezembro de 20 24 fizemos o arranque da nossa operação autónoma. Foi mesmo numa sexta feira.
05:36Francisco Gaspar:Desligar de um lado, estávamos preparados fim de semana de segunda feira todos assinarmos do nosso lado foi aquela que é um nervoso miudinho.
05:44Fábio Gomes:Tu consideras que talvez seja isso que permite às empresas ganharem essa escala toda? Porque é um grupo com muitas marcas face a outros concorrentes? Se calhar não têm a mesma capacidade tecnológica.
05:56Francisco Gaspar:Sim, claramente. Tanto claramente que fazer parte do Grupo José de Mello é uma vantagem competitiva. Portanto, dá nos um conforto para podermos seguir o nosso propósito. E o Grupo José de Mello é muito isso, tanto é de pessoas, propósitos e objetivos.
06:12Fábio Gomes:Tanto tem que falar, sobretudo na parte tecnológica. Porque esta questão de ligar o setor vitivinícola à área da tecnologia não sei. Não sei se por todos os concorrentes, é algo que realmente está aí.
06:26Francisco Gaspar:Tem muito a ver com a capacidade que estamos a ganhar e continuamos sempre a fazer esse investimento para conseguirmos escalar um negócio, conseguirmos crescer tanta tecnologia num negócio tão tradicional como é o vinho, além de ser difícil do ponto de vista comercial, porque existe sempre aqui uma nuvem cinzenta em termos daquilo que é uma bebida alcoólica, embora o consumo responsável é aquilo que é a parte social do vinho, é aí que nós estamos perante uma qualidade e não por aquilo que é um consumidor que acaba por abusar.
07:05Francisco Gaspar:Nada disto. Nós queremos estar na qualidade e termos um bom produto na prateleira é claramente para crescermos e para chegarmos ao nosso cliente. A tecnologia tem que estar por trás, É inevitável e de facto, é fundamental, até mesmo fundamental.
07:20Fábio Gomes:Porque ele também diz que pretende se transformar o negócio em resultado, ou melhor, perfeito transformar a empresa com tecnologia em resultados de negócio. Ou seja, isto aqui é muito importante porque normalmente o perfil de quem desenvolve tecnologia é mais de executar e não tanto de perceber realmente o que que é necessário e como é que o pode ter.
07:41Fábio Gomes:Impacto nos números do negócio. E tu consegues ter esse perfil de interpretar os pedidos que são feitos.
07:48Francisco Gaspar:Isso é um pouco essa capacidade. E também como são muitos anos. Digamos neste neste negócio e com a tecnologia que temos e com o nosso ecossistema, conseguimos perceber se de facto aquilo que estamos a implementar, a forma e o caminho que estamos a seguir vai ter sucesso ou não? É lógico? Depois temos o tema das pessoas e a forma como, como comunicamos.
08:12Francisco Gaspar:Mas essa sensibilidade existe antes de conseguir perceber onde é que é necessário atuar, onde é que temos que fazer investimentos e o que é que não temos que fazer. E muitas vezes é pensando num pouco daquilo que eu disse há pouco, pensar muito na solução e não no problema é muito isso. É ter a capacidade de andar para a frente e não ter medo de seguir um caminho, mesmo que depois existam dificuldades, mesmo que depois seja necessário dar um passo atrás para dar dois à frente.
08:43Francisco Gaspar:E isso acontece no nosso dia a dia. Mas é necessário conseguirmos avançar, não ficarmos parados com o problema. E de facto é uma abordagem que que que houve ao longo dos anos e 23 anos que tenho no grupo José, Meu. Sempre pautei por isso para não ter medo de avançar.
09:04Fábio Gomes:Tu começaste quando com um perfil muito técnico e depois começaste a caminhar mais com perfil de gestão de liderança em decisões de condução, de pôr a mão na massa e.
09:16Francisco Gaspar:Literalmente de executar, literalmente. Eu sou muito da ideia, que é uma visão que só posso pedir e exigir aos outros e à equipa aquilo que eu sei fazer também. Portanto, e acabo por ter essa visão 360 e ainda por quando quando cheguei vinha com o computador debaixo do braço. Portanto não consigo ir para nenhum carro sem levar o computador, porque a última instância sou eu.
09:43Francisco Gaspar:Nem nas férias, nem nas férias. Não, não há forma de desligar. Provavelmente uma semana, uma semana por ano, Muito porque a família o exige bem que eu desligo me totalmente ou faço o esforço por me desligar totalmente, mas às vezes tem o efeito contrário e tento. Acabo por ficar mais tenso porque se acontece alguma coisa, estou incomunicável, claro, Mas tento gerir e é fácil de gerir quando se faz aquilo que se gosta e é o nosso trabalho ou as nossas funções profissionais não é um problema.
10:18Francisco Gaspar:Tanto Eu estou muito cansado, mas a vida é uma extensão e se conseguir saber gerir tudo aquilo que é o nosso trabalho, o nosso dia a dia, sem impactar a família, sem impactar aquilo que é o nosso bem estar do dia a dia. E eu acho que com os anos aprendi muito bem a fazer isso e mesmo em casa as coisas correm bem.
10:38Francisco Gaspar:Às vezes reclama, no entanto é perfeitamente normal, mas sinto me bem assim também. É o meu estado normal em estar sempre disponível e com capacidade de atuar, tanto de poder fazer alguma coisa. Se eu receber agora um alerta, por exemplo, relacionado com saber a segurança, tem que atuar tanto. Tudo é uma questão de minutos. Temos que fazer alguma coisa.
11:01Francisco Gaspar:Não podemos ficar na omissão de não fazer nada. Não sou responsável e temos que dar conta daquilo que são os temas mais relevantes. E é muito isso. É lógico que existe uma equipa, existem pessoas, existem parceiros para e para o nosso dia. A dia, mas é preciso estar muito, muito atento.
11:19Fábio Gomes:Por outro lado, é que eu não tenho uma fonte que possa citar, mas existe historicamente uma tensão entre a malta do IT e os pedidos que muitos colaboradores da empresa podem fazer, os chamados.
11:32Francisco Gaspar:Ticket. Isso.
11:33Fábio Gomes:Essa tensão também existe na vossa equipa?
11:35Francisco Gaspar:Claramente eu sou. Qual é a solução? Eu sou o coco, a melhor expressão. Tanto sou aquele, aquele diretor que está sempre a ver os tickets. Tanto porque para mim um pedido de um utilizador e eu farto me de dizer isso. A minha equipa. Se existe um problema é porque nós não tivemos capacidade para que não existisse ali presente.
12:00Francisco Gaspar:O problema até pode ser não conseguir comunicar com a pessoa hábil assim, tanto somos nós que temos. Ter essa capacidade é um problema em tecnologia, evidentemente, daquilo que que esteja em cima da mesa deve e pode ser antecipado. E se nós fizermos esse trabalho de casa, vamos ter menos tickets, vamos ter colaboradores satisfeitos e vamos ter um ecossistema a funcionar como um relógio suíço.
12:26Francisco Gaspar:É esse o meu objetivo todos os dias. E os tickets servem para isso. São insights para perceber onde é que temos que atuar, onde é que temos que nos preparar para que dentro de alguns dias aquele ticket não volte a existir. É lógico que há coisas do dia a dia, trabalhos de cofres e temas que que que originam sempre tickets e não é possível antecipar, mas os que são relacionados com aquilo que são as nossas responsabilidades, tecnologias, sistemas, processos, temos que ter capacidade para que ele não se repita, ou por menos que a cadência seja inferior.
12:58Francisco Gaspar:E isso é um trabalho diário, fazer essa análise e a equipa muitas vezes não gosta desse controlo. É verdade. Portanto, porque ter um ticket de saber que foi aberto naquela hora ainda não está resolvido. Ainda não temos uma solução para o problema. Existe ali uma pressão clara mesmo sobre mim. Tento muitas vezes. Existem temas que acabo também por pôr, por resolver, mas esse, esse feedback dos utilizadores é fundamental em qualquer departamento de tecnologia e é muito importante.
13:27Francisco Gaspar:E muitas vezes eu vejo e seguindo normas de ITIL e seguindo aquilo que são as boas práticas, mas vejo muitas empresas distantes dos utilizadores. É um processo que até é uma dificuldade. A tendência é quem trabalhar assim e não existirem tickets. Mesmo que exista o problema, a pessoa acaba por não reportar, acaba por não abrir mão de alguma forma.
13:48Francisco Gaspar:Isto é muito grave porque acaba por arranjar alternativas. E é aí que entram depois uma série de mecanismos que temos também de controlar. Claro que sim, mas que são inevitáveis se tivermos uma equipa disponível que comunique e que saiba relacionar se com toda a empresa. Isso é muito importante de falar.
14:07Fábio Gomes:Mas essa pressão dos fica tudo do lado de quem os recebe, mas do lado de quem hoje em dia, que a partir daí são mais stakeholders Nesse sentido. E falavas bem, Quer feedback do próprio utilizador? Achas que o simples facto de termos a palavra ticket? Eu fiz backup? Apesar de ser uma alteração muito, muito leve, pode fazer com que haja uma grande diferença.
14:31Fábio Gomes:Isto porque nós internamente mudamos com maior parte dos nossos botões de plataformas internas de ticket para feed back e notamos.
14:38Francisco Gaspar:Algo que.
14:39Fábio Gomes:Não é possível ainda cientificamente comprovar que que é o senhor prefeito. Mas para a maioria das pessoas já não enviam um ticket. O feed back.
14:48Francisco Gaspar:Eu costumo usar incidências em se deseja tanto até mais do que duas.
14:52Fábio Gomes:Peças, não muito, não é fixo, não é muito rigoroso. Sim.
14:59Francisco Gaspar:Nunca tinha pensado nisso por acaso, mas se vê que pode resultar, pode resultar, mas não vejo porque não. Agora, se pensarmos nas normas, diria eu, um feedback que vai dar origem a um incidente. Se calhar é mesmo dentro da origem, a uma mudança, uma mudança da origem, tanto em seguindo o percurso provavelmente resultante.
15:20Fábio Gomes:Será essa vertente markting a vir possível ter.
15:22Francisco Gaspar:Pode existir feedback não sendo na realidade um problema. E eu gosto muito desse ticket exato que tenho que o colaborador nos diz Às vezes partimos para eu vi isto fazia sentido. É server dever ser azul. Eu fui ver e ninguém tinha reparado. Bem, não quer dizer que isto vai originar uma incidência, uma grande mudança, não é? Mas na realidade, da próxima vez que fizermos alguma atualização que implique mexer naquela plataforma, levamos em linha de conta esse feedback.
15:50Francisco Gaspar:Isso em qualquer situação de uma organização e mesmo em casa, com a família, com amigos. O fim do é que é sempre muito bom, mesmo se for construtivo. É claro que no fim de ver que tem que ser construtivo, acaba por ser e faz parte do processo melhoria contínua. Tanto quem tem um processo melhoria contínua que funciona, tem que ter sido claro para o bem e para o mal.
16:12Francisco Gaspar:Portanto é e é muito isso. Mas dos tickets é uma visão interessante a 27 isso.
16:21Fábio Gomes:Olha, Inteligência artificial tem usado. Há uma tendência inegável nos últimos meses. Tenho utilizado bastante. Estou a pensar trabalhar com ela para o futuro, seja projetos assim, ser projetos específicos. Estou a falar. Mas do ponto de vista da.
16:37Francisco Gaspar:Utilização, aí está. Aí está um tema que acaba por. Como explicar? A empresa acaba por ter muito interesse. Quando digo empresa, as pessoas em utilizar inteligência artificial, primeiro porque conseguem tirar, portanto, das suas funções aquele trabalho mais de sapa. Não é tanto aquele trabalho rotineiro que não cria valor nenhum, mas tem que ser feito. E aí há nesse âmbito, vai dar e está a dar uma grande ajuda.
17:08Francisco Gaspar:Depois existem outros temas dentro de uma organização, como como a nossa, muito relacionados com o controlo de qualidade. No entanto, que por mais que sejamos atentos, há sempre pormenores que nós humanos acabamos por não perceber. Estão implícitos. Perdemos imenso tempo a fazer essa gestão e a permite dar uma grande ajuda e agora amplificar aquilo que são a nossa capacidade de entrega de projetos.
17:37Francisco Gaspar:Tanto ajudarmos no dia a dia a estruturar um projeto de forma rápida, porque eu viajei muito como um secretário, se é assim que se pode chamar, situar um assistente que nos vai dar essa essa capacidade de podermos fazer várias coisas ao mesmo tempo e que é que tem o mínimo de controlo, de qualidade? É lógica, é a falha.
18:01Francisco Gaspar:Temos que estar muito atentos àquilo que são, digamos, os outputs. Mas, acima de tudo, o que é mais relevante para mim é na organização onde eu estou e nós conseguirmos garantir que aquilo que fazemos com já é seguro. Os nossos dados estão salvaguardados. A forma como a empresa utiliza a IA está devidamente governada. Não é, entanto, não ser e não ser algo, digamos, completamente não estruturado e que percamos o controlo.
18:29Francisco Gaspar:Tanto isso é não é bom, tanto é o projeto, o trajeto que estamos a fazer em relação a IA é mesmo instante. A nossa dimensão, capacidade de governar, a utilização de diária, começarmos com coins de pequenos temas do dia a dia que podem ser resolvidos e conseguimos amplificar aquilo que são a nossa estratégia de negócio e não só e de sistemas, para que seja possível fazer crescer um negócio.
18:56Francisco Gaspar:O objetivo é mesmo esse, conseguir ter produtos de qualidade no mercado de forma muito rápida e que o cliente também acabe por reconhecer através das vendas aquilo que é o nosso esforço de melhoria contínua em termos um produto excelente no mercado, mas é vista dessa forma neste momento ainda estamos a estruturar todo esse processo. Estamos a fazer várias provas de conceito claro, para depois percebermos qual é o caminho mais correcto para se avançar.
19:27Francisco Gaspar:O difícil é que percebes isso também. Hoje é um caminho. Anda tudo tão rápido, é assim mesmo, Pode mudar amanhã e nós ainda estamos no anterior. Essa gestão é difícil.
19:41Fábio Gomes:Esse progresso muito, muito importante, porque em muitos fóruns há debates sobre a questão do chegou aí. Insisto porque? Porque é preciso uma governança muito robusta para que os colaboradores comecem a utilizar as ferramentas, as plataformas. Mas qualquer forma, nós hoje temos licenças a poucos euros que nos permitem ter acesso aos melhores modelos do mercado. Só que depois entra a organização porque é um processo que claramente também não é fácil de montar.
20:08Fábio Gomes:Vamos trabalhar. É a mesma coisa que termos um carro desportivo em casa e trabalho. Temos um carro que só anda a 50 quilómetros hora. Isso é um tema muito importante, mas também é muito grande para as empresas e é quase inevitável a questão dos dos colaboradores que conseguiram colocar informações dos automóveis pessoais e consultarem as suas licenças pessoais.
20:27Fábio Gomes:Isso aqui é um tema que que assusta. É um tema que é transversal a todas as indústrias. O que pensa sobre eu me assustar?
20:36Francisco Gaspar:Não é a palavra correta. Tenho, digamos que muita atenção e perceber o que é que está a acontecer de forma discreta na organização e ter o cuidado de não restringirmos porque a restrição vai ter o efeito contrário. A minha área se diz nisso. Portanto, se nós vamos restringir e não permitimos que os sapatos CPT funcione.
21:02Francisco Gaspar:As pessoas vão arranjar forma de chegar aos saltos CPT. Portanto, não temos essa capacidade. Basta usarem hotspots. O telemóvel já estão a utilizar? Não conseguimos nunca, mesmo com políticas rígidas a nível de segurança, restringir tudo. Nem é essa a nossa abordagem. Enquanto o correto no meu ponto de vista, é envolvermos as pessoas, tanto percebermos o que é que elas estão a fazer, com quem já, o que é que nos podem dar de insights que façam sentido utilizar no negócio e com informação, tanto conseguirmos passar a mensagem de que existem boas práticas, aquilo que pode ser feito, o que é que não pode ser feito.
21:41Francisco Gaspar:Basta pensarmos no RGPD. Já temos aí um cardápio daquilo que não pode ser feito. Se as pessoas perceberem isso, vão utilizar de forma consciente e correta. Essa é a estratégia para que depois a organização, as empresas possam tirar o melhor da inteligência artificial e não ser algo que seja restringido que depois todos ficamos a perder. Não, não faz sentido.
22:07Fábio Gomes:Cibersegurança é um tema que realmente tem que estar sempre pensado. E aqui uma resposta óbvia ou só temos que nos preocupar quando há um susto.
22:17Francisco Gaspar:Eu não quer ter sustos.
22:20Fábio Gomes:Isso que agora nos preocupamos muito com os colaboradores que utilizam a de forma mais segura possível. Mas temos que nos preocupar também muitas vezes com quem ataca a organização ou quem já atacava ou tentava atacar que agora estava unido com o cão. E tem outras formas de poder fazer esse ataque.
22:37Francisco Gaspar:A arma para combater.
22:39Fábio Gomes:A mesma.
22:40Francisco Gaspar:É a e ao mesmo tempo é também utilizarmos I.A. Exatamente, É tanto? É e é muito isso que que também estamos a fazer. Tanta capacidade que temos de analisar blocos e conseguimos relacionar todos esses eventos. Estamos a construir para ser possível. Já temos vários casos práticos para automatizar todos esses processos. Mas é mesmo isso. A pior coisa que me pode acontecer é não dormir descansado porque eu tenho que dormir 08h00 tanto se tiver um tema que me está aqui a preocupar tanto, uma luzinha vermelha algures, é difícil descansar.
23:21Francisco Gaspar:Portanto, eu faço muito trabalho de casa com a equipa, de percebermos onde é que estão os nosso ponto de falha, fazermos testes, validarmos aquilo que são as nossas soluções e aquilo que implementarmos, estarmos muito atentos àquilo que os parceiros implementam, porque isso é um e o principal ponto de falha hoje em dia em qualquer organização, é a forma como muitos parceiros desenvolvem e implementam soluções, porque na realidade, o negócio deles não é cibersegurança, é negócio deles, não é?
23:51Francisco Gaspar:Não vão estar preocupados? Deveriam. Hoje em dia já existe essa preocupação cada vez mais. Mas o que é que acontece? Existem muitas aplicações legadas do passado. Não podemos descontinuar de um dia para outro. Então é um processo de evolução e muitas vezes as próprias, os próprios motores, o RP, MRP não respondem ainda a uma série de requisitos. Basta pensarmos numa base de encriptação de dados Em Haskell.
24:18Francisco Gaspar:Tanto é possível fazer. Tecnicamente é muito fácil, mas depois quando vamos implementar, temos o parceiro a dizer calma aí que.
24:27Fábio Gomes:Está a começar a raiz, mas.
24:29Francisco Gaspar:Vai correr mal, vai correr mal e temos aqui uma série de desafios nesse âmbito. Mas aquilo que é o trabalho de casa e de termos boas práticas no nosso dia a dia. Um exemplo Gestão de vulnerabilidades, atualizações dos postos de trabalho, servidores. Tanto eu consigo hoje em dia atualizar de um dia para o outro todo o meu parque informático sair uma vulnerabilidade crítica.
24:54Francisco Gaspar:Temos essa capacidade e fizemos tudo para que isso seja possível. Qual é que é o reverso da medalha? Muitas vezes têm os utilizadores a fazer pressão. Mais um reboot, mais uma necessidade de parar o que estou a fazer para reiniciar o computador e temos feito uma aposta muito grande a nível de comunicação, explicar o que é que estamos a fazer, por que é que temos que fazer e as pessoas percebem isso e acabam por colaborar muito bem nestes processos, tanto quando é crítico mesmo.
25:23Francisco Gaspar:Eu prefiro muito mais e uso muito essa expressão perder um minuto da minha vida do que perder a vida no minuto.
25:30Fábio Gomes:E se eu entro na.
25:31Francisco Gaspar:Cibersegurança, isso é crítico. É sermos rápidos, porque quem não for rápido a implementar, a atualizar, a colocar, a pôr tudo aquilo que é o seu ecossistema, já foi ou vive ali na corda bamba, sem saber qual é que é o dia de amanhã. E isso é muito relevante.
25:48Fábio Gomes:Porque há dois pontos muito importantes na parte das atualizações e dos reboots que falávamos, porque antigamente quem não utilizava e tinha sistemas legados estava mais em risco de ter vulnerabilidades. Agora quem atualiza sabe, mas não sabe se essas utilizações podem ou não ter ter erros. Aliás, falo muito na questão dos CVS. Para quem está a ouvir e não conheçam, são vulnerabilidades bastante conhecidas.
26:14Fábio Gomes:Passavam o tempo de atualização ao comuns e normalmente duravam cerca de nove meses a serem encontradas neste momento. Esse tempo passou, Não consigo ser preciso agora, mas para uma série de dias isso também é complicado, porque dar o reboot em várias unidades, várias vezes durante várias semanas é algo complicado.
26:33Francisco Gaspar:Isso aconteceu recentemente, há duas semanas, Na mesma semana saíram dois ou três CV's para nós que eram críticos e tivemos que fazer três vezes atualizações.
26:45Fábio Gomes:Comunicar para os.
26:46Francisco Gaspar:Colaboradores que existiam atualizações que dependiam da outra tanto, Ou seja, fazia um logo a seguir. Eu tinha um atributo para para fazer. Isso também aumenta a nossa dimensão, porque existe tecnologia para poder fazer aquilo que é o chamado virtual petting. No entanto, em que a pessoa acaba por não sentir estes reboots. A atualização é aplicada do ponto de vista de networking e aparentemente as coisas resultam, mas a tecnologia é muito cara.
27:12Francisco Gaspar:Exato, que não está acessível para todas as organizações, tanto a nossa dimensão. Temos uma política e comunicamos tanto. Existe um popup que é despoletar no computador a explicar o que é que vai acontecer. A pessoa tem X tempo para avançar com aquele procedimento e acontece na parte mais datacenter e servidores, dependendo daquilo que é realmente crítico, também temos mais restrições a nível daquilo que os nossos serviços, os equipamentos ativos de gestão de vulnerabilidades e de rede e acabamos por tentar não impactar o negócio, Mas a decisão, se tiver que impactar um negócio para colocar um determinado material, a atualização tem que ser feita.
27:57Francisco Gaspar:Tem que, se essa decisão é tomada, se colocar em risco aquilo que é nossa, a nossa operação. Não me recordo de ter sido necessário usar essa o imediato, porque temos sempre formas de mitigar. No caso da componente datacenter, mas se for necessário, por qualquer motivo, basta pensarmos. Há pouco tempo tivemos uma nuvem no check point. Tanto a check point teve uma vulnerabilidade que era possível usar o mecanismo através de umas chaves que já estavam ligadas e era possível aceder a infraestrutura a partir de uma ligação VPN normal.
28:32Francisco Gaspar:E nós aplicamos. Então tem que ser durante um período de almoço que saiu às 11 e tal meio dia e passado umas horas estávamos a aplicar. Nem eu estava descansado se não o fizéssemos, porque nunca sabemos o que é que o que e que o que é que vem a seguir. Para além de estarmos sempre a ver os logs quando existe um tema destes a perceber se alguém está a aproveitar, mas não é algo que vem do nada não.
28:55Francisco Gaspar:Sim, e se existe essa ideia boa?
28:57Fábio Gomes:Olha, temos sistemas legados, mas também estamos a caminhar, penso eu, para uma grande dependência da utilização destes modelos asiáticos, o que não tem nada de errado porque a calculadora também não existia e antes fazíamos as contas à mão. Mas se pensarmos nos grandes laboratórios americanos open planear antrópica. Outro dia vi uma publicação em que o claudicou de estar.
29:22Fábio Gomes:Ou seja, não está funcional hoje e toda a gente no Reddit dizia hoje eu não vou trabalhar, pois isso pode acontecer no futuro. Ou ainda vai haver malta que sabe.
29:30Francisco Gaspar:Tudo isto já acontece hoje, não é? Basta. Basta pensarmos se uma área do extremo quer também dormir tanto. Já temos uma série de problemas porque temos muitas dependências, principalmente DNS, que é algo que nunca ninguém fala muito. Mas o sistema tanto Domain Name Services e eu já tentei algo que existe há mais de 30 anos, há muitos anos, e a evolução não foi não é muito reveladora daquilo que na realidade é um DNS.
30:04Francisco Gaspar:Nós temos que ter, pois, ferramentas adicionais para conseguirmos analisar tudo aquilo que se passa, mas basta isso acontecer para que a empresa acabe por parar ou fica ali um pouco mais expectante em relação àquilo que será o próximo passo. Quando falha um determinado sistema que que que é importante? Em relação à tua pergunta relacionada com o CON, com os agentes e com quem é a que que é basicamente isso É a forma de usar a IA, é automatizar uma série de processos e tarefas.
30:34Francisco Gaspar:E se isso falha, claro que aquele processo não vai ser feito. Onde é que entra, digamos, a tecnologia e quem é que tem? Quem tem essa responsabilidade de liderar esse tipo de projetos e existir forma de mitigar um determinado processo crítico? Vou dar um exemplo emitir faturas não se aplica, mas é possível emitir faturas de forma ligada sem sem termos o RP a funcionar?
31:01Francisco Gaspar:É possível falar com a ATI para emitir códigos, para colocar nas guias de transporte. Se pensarmos naquilo que são possíveis processos que estão a ser feitos por um agente, se o falhar provavelmente e usarmos o processo que tínhamos antes, exatamente dependendo da criticidade. Portanto, tudo isto depois é uma questão de balancear e percebemos que o negócio para si não para.
31:23Francisco Gaspar:Se aquilo que é a nossa produção é afetada com determinadas gente que está a correr ou não tanto. Cada caso é um caso. Eu acho que exatamente vamos ter para todos os gostos ou início cada vez se conforme vamos massificando a utilização, provavelmente vão existir mais falhas do ponto de vista de processos e sistemas, mas depois acaba por seguir um ritmo normal, como é o ritmo normal de um determinado processo que temos implementado.
31:49Fábio Gomes:Até porque na maioria dos casos, nós não vamos precisar sempre de modelos de fronteira, como é o caso que estamos a utilizar atualmente. E é aqui também um risco para estas empresas a longo prazo que, se pensarmos nos modelos que temos hoje ao dia de hoje, que são excelentes para a maior parte dos casos que estamos a fazer e são os únicos disponíveis, Os de fronteira será daqui a um ano ou dois.
32:10Fábio Gomes:Vão ser modelos open source e podemos correr na organização, que é também muito relevante.
32:14Francisco Gaspar:O que? O que acabamos de dizer que normalmente quando se faz esse tipo de configurações com hoje em dia ou qualquer outro tipo de plataforma que tenha mais ou menos automatização E o que é que não pode fazer para além de pensarmos nisso, também teremos que faça. Temos que pensar naquilo que não pode fazer tanto. Para que? Para evitar o que aconteceu há relativamente pouco tempo, de um agente ter eliminado uma base de dados inteira de uma empresa.
32:40Francisco Gaspar:No entanto, eu não sabia que não podia fazer e pronto. Aquilo que foi utilizado para aquela tarefa fez com que eu tivesse aquele comportamento. Se tivesse previamente sido ensinado a não fazer esta tarefa ou a tomar essa, esse procedimento provavelmente não tinha acontecido. Agora, cada caso é um caso, mas isso é muito relevante em nós pensarmos que a inteligência só é inteligente porque nós somos inteligentes e temos de ter a capacidade de dizer aquilo que não pode fazer, ou seja, pensarmos para além daquilo que é o normal do dia a dia e onde é que estão os pontos de falha.
33:17Francisco Gaspar:E aí conseguimos balizar aquilo que nos resta. Pouco e criar as fronteiras para que o agente não vá para fora do perigo é exatamente o que sandbox diz.
33:28Fábio Gomes:Olha, por outro lado aquilo que eu falava, já que há muitos sistemas críticos que dependem de muitas estruturas ligadas, também há muitos sistemas críticos que dependem de muitos repositórios open source. E é aqui um pulo muito grande que nós temos aqui. A contribuição de muita gente que, de forma voluntária ao longo dos anos e também a projetos que são mantidos e têm as suas próprias comparticipações.
33:51Fábio Gomes:Mas o que nós estamos a assistir agora é um caso muito, muito engraçado que é. Se nunca foi tão fácil produzir código estável, nunca foi tão fácil a produzir contribuições para estes repositórios, porque é aberto e neste momento estamos a ter um problema que é de quem os mantém. Está a receber uma um spam de contribuições. Estão fora se quer.
34:11Fábio Gomes:Para quem nos ouve também a perceber como é que funciona, isto é um problema porque estamos a retirar a motivação que havia ao open source. O que tu achas sobre isto?
34:21Francisco Gaspar:É verdade, É verdade. Tanto acaba por nascer, provavelmente tanto naquilo que é a comunidade. Novas funções de triagem.
34:34Fábio Gomes:Não conseguimos dizer as contribuições no passado fizemos.
34:38Francisco Gaspar:Delas e ainda hoje e noutros. Sim, sim, O tema, o tema é o que estás a referir, é a quantidade de código que é gerado com melhorias para um determinado projeto. Não é casarem, Ser úteis para mim podem ser úteis para outros utilizadores. Acabam por ser tantas que é difícil separar o trigo do joio de conseguirmos perceber qual é que vamos aplicar, o que é que vamos usar.
35:01Francisco Gaspar:Tanto faz uma pesquisa, uma aplicação terá cafés, vês? E aparecem te 200, 300. Qual é que eu vou utilizar depois dentro daquela que vou utilizar? Qual é a realidade dentro da Realiza? Amanhã sai o novo update. Vou aplicar ou não vou aplicar tanto? Acaba por ser.
35:19Fábio Gomes:Atualizado?
35:19Francisco Gaspar:Atualiza isso provavelmente é o que já acontece hoje em dia. Temos a capacidade de ter um processo bem estruturado, aquilo que é desenvolvimento, testes, qualidade, produção e conseguirmos chegar à aplicação a ferramenta, ao processo que faça fit com aquilo que é a nossa necessidade e muitas vezes é aquilo que está a acontecer hoje em dia, é o perder o foco vai.
35:42Francisco Gaspar:Então é tanta informação, aplicações, formas de gerar, formas de entregar, formas de pedir A mais B que nós perdemos o foco. Já estamos no campo dos gadgets e não no negócio. E, no entanto, e muitas vezes é preciso parar para pensar e isso é um dos exemplos. Não é tanto quem está de facto a fazer. Espantoso. Se é possível de facto fazer esse governo do lado da comunidade, tem que haver a capacidade de filtrar, perceber o que é que é ou não é útil para aquele projecto.
36:13Francisco Gaspar:Do lado da empresa é igual. Temos de ter essa capacidade.
36:16Fábio Gomes:Olha, é isso que falavas. É importante a questão do foco. Porque? Porque quando a tecnologia funciona parece quase invisível. Ninguém, ninguém dá palmas para a tecnologia não ter falhado uma única vez, Mas quando falha, isso é importante e é complicado gerir. Todos tem que falar a verdade.
36:33Francisco Gaspar:Eu sou eu sou daquelas pessoas que prefiro, que não, que não existe, que não nos dê importância porque a gente falha.
36:42Fábio Gomes:A maneira de agir Não é.
36:43Francisco Gaspar:Exatamente por tanto eu gostar desse lado tanto. Não, não gosto de ter dificuldades nem problemas relacionados com aquilo que são as plataformas que tenho sobre a solução, mas levantas em um tema que muitas vezes é abordado de forma errada, usando aqui uma expressão e quem não aparece é esquecido. E no caso da tecnologia de dizer ao contrário, tanto quem não aparece devia ser valorizado.
37:08Francisco Gaspar:Exato. E é muito isso que que que nós tentamos também passar essa mensagem. E é aí que entramos no outro lado daquilo que é um departamento de TI que é. Conseguimos chegar a utilizadores, explicarmos o que é que estamos a fazer. Temos um roadmap, o que é que vamos implementar a seguir? Qual é o processo de melhoria contínua que está a ser utilizado e onde é que nós podemos ajudar a organização a criar melhores processos, mais eficientes, que nos dêem valor, tanto se formos por este lado, por este caminho, o outro acaba por não ter nenhuma relevância.
37:38Francisco Gaspar:Em que as pessoas querem é que tudo funcione e estamos do outro lado a fazer crescer um negócio, a usar a tecnologia em nosso proveito.
37:46Fábio Gomes:Olha, há 23 anos que estás no Stone.
37:52Francisco Gaspar:Não é tanto. São três.
37:53Fábio Gomes:Três, três. O grupo no grupo deu.
37:55Francisco Gaspar:Exatamente.
37:56Fábio Gomes:23 anos. Como é que numa altura em que se fala cada vez mais de ciclos de três ou quatro anos em cada organização, como é que se consegue manter uma carreira tão longeva e que não se sinta que estamos parados no tempo?
38:10Francisco Gaspar:É difícil em tecnologia. É um desafio quase diário. Contudo, tudo o que temos em mãos conseguir acompanhar o evoluir da tecnologia. Às vezes sinto me a ficar para trás. Não, não vou mentir. Por isso mesmo porque é difícil gerir isso no dia a dia. No caso do grupo Zero, meu é o facto de ter 23 anos de grupo.
38:37Francisco Gaspar:Não tem muito a ver com aquilo que são os nossos valores, aquilo que é a forma de estar deste grupo português de origem familiar. E continua numa família acionista que tem valores que têm um propósito e que faz fit comigo. Eu revejo me totalmente naquilo que são os valores do grupo. Meu e espero envelhecer, se é que já não estou a ficar velho a desempenhar as minhas funções e é a dar aquilo que posso dar aos negócios e ao grupo.
39:08Francisco Gaspar:Mas é muito isso. É rever me literalmente naquilo que é o grupo ser.
39:14Fábio Gomes:A tua carreira casa vem também como própria indústria do vinho, que é um setor que muito com muita paciência, tudo tem que ser feito devagar. Mas depois temos este paradoxo que a tecnologia não pode parar, tem que ser feita de forma acelerada. Tu consegues ter essas duas velocidades.
39:30Francisco Gaspar:Fiz isso é uma antítese, Ou seja, na realidade a forma como se faz vinho e a forma como temos um bom produto na prateleira leva o seu tempo. No entanto, temos que dar tempo para que a magia aconteça. Eu gosto muito da magia do vinho, gosto muito desta expressão porque o vinho para mim tem um determinado valor e dá me uma determinada, é um sentimento para outra pessoa O mesmo vinho é completamente diferente e é aí que entra essa magia de conseguirmos apreciar aquilo que é o produto.
40:05Francisco Gaspar:Nesse caso, não há desculpa. Mas em relação àquilo que perguntaste.
40:12Francisco Gaspar:A tecnologia, os temas, os processos, as pessoas existem para que seja possível ter cada vez mais produto no mercado com qualidade e que sejamos rápidos a reagir tanto quando um cliente. Nós trabalhamos muito no gueto. B Quando um cliente vem ter connosco para assinarmos e termos um determinado produto no mercado, temos que ser rápido e a única forma é termos tecnologia que acompanhe todos esses processos até chegar ao chão de fábrica.
40:46Francisco Gaspar:No entanto, nós temos que pensar sempre no vinho como uma ideia que nasceu. Há um estudo prévio para perceber se é possível ou não produzir um vinho com aquelas características, tanto se temos algum produto que faça fit com aquilo, com aquele pedido e depois toda uma análise comercial e financeira até chegarmos a chão de fábrica. E todo este processo é acompanhado por tecnologia.
41:10Francisco Gaspar:Existem ferramentas que suportam a nossa capacidade de entrega e não só. É rastreabilidade sabermos o que é que fizemos antes para depois chegarmos ao fim da linha com tudo sob controlo. E esse é o desafio da tecnologia. É o desafio de conseguirmos ter cinco sociedades diferentes que têm a sua identidade, mas depois, em sistemas, ser possível todas elas comunicarem tanto, conseguirmos agilizar processo de compra, o processo de venda, processos produtivos de forma ágil e que tudo funcione.
41:46Francisco Gaspar:Esse é o principal objetivo de um departamento de TI numa vitivinícola, até conseguirmos que seja possível crescer um negócio com processos que vão ser aplicados muitas vezes a sociedades e a marcas que têm identidades diferentes, claro. E esse é um desafio muito, muito interessante.
42:04Fábio Gomes:Essa parte da identidade é muito importante porque quem se desloca a uma mercearia ou supermercado para comprar uma garrafa de vinho ou enoteca, às vezes não consegue perceber quando a tecnologia por trás na produção do próprio vinho. Mas aqui um fator também muito importante, que é do lado do utilizador, quase nada mudou. Estamos a típica garrafa de vinho e vemos normalmente como conseguimos até agora.
42:26Fábio Gomes:Mas ao longo dos anos existiram muitas tradições de hábitos que foram deixando de ficar, como por exemplo no caso do tabaco. Há uns anos atrás toda a gente fumava naqueles filmes que nós víamos com o próprio pai, quando tomava. E eu não sou muito fã desse tempo, mas consigo. Martin, Eu consigo perceber que a ideia, a questão, não está só, está no futuro.
42:50Fábio Gomes:O próprio consumo de vinho seja visto como não é como algo que as pessoas não queiram mais fazer.
42:56Francisco Gaspar:Essa e essa. Esse é o desafio e o desafio que temos hoje na ordem do dia é conseguirmos passar uma mensagem e termos de facto um produto que consiga chegar às pessoas. Tirando essa nuvem de nuvem de cima, mas claramente eu não sou a pessoa indicada para promar. Tem na na área comercial.
43:21Fábio Gomes:Mas é um desafio.
43:23Francisco Gaspar:É um desafio e um desafio. No caso da Wine, estão e daquilo que são os resultados que temos vindo a obter. Mesmo em contraciclo, temos conseguido crescer, Temos conseguido ter mais clientes, Essa é a verdade. Porquê? Porque temos um produto que realmente é apreciado. Temos vários produtos que são, que são apreciados por trás de tudo isto está a tecnologia, está a nossa capacidade de conseguirmos entregar, produzir e ter rastreabilidade de todos estes processos.
43:58Francisco Gaspar:Mas o desafio é mais para a área comercial, markting e é também regulatório. Tem toda esta nuvem, esta nuvem cinzenta que muitas vezes paira sobre o vinho e muitas vezes faço uma pequena reflexão não acho justa não. Não podemos nunca comparar o vinho e o tabaco tanto. Acho que é um erro. Não nos podemos esquecer que o vinho.
44:24Francisco Gaspar:Tem um peso muito grande no PIB português e no PIB, quer seja do novo Mundo do velho mundo, tanto a nível vitivinícola, tanto tem história e lógico, no passado a abordagem era totalmente diferente em relação ao consumo. Hoje em dia é muito mais responsável, é muito mais social, é muito mais de criar laços, valor é o vinho, é isso.
44:45Francisco Gaspar:Um vinho numa refeição dá nos essa tranquilidade, essa capacidade de podermos estar a falar e a usufruir sem nenhum tipo de problema. Isso para mim é o principal do vinho. É essa magia que eu chamo magia.
45:03Fábio Gomes:Para ligar pessoas, para.
45:03Francisco Gaspar:Ligar pessoas no fim do dia. E para elas nós estamos todos a trabalhar. No teu caso, exatamente igual. No entanto, nós temos um objetivo que é conseguir que as pessoas acabem por consumir o nosso produto e ao consumirem se, revejam naquele produto. Continuem tanto que seja possível ter aqui uma continuidade em fidelizar aquele cliente pela qualidade, por aquilo que estamos a transmitir, pela história.
45:30Francisco Gaspar:Tudo isso é muito relevante, mas é um desafio qualquer.
45:33Fábio Gomes:E eu penso estamos na melhor geração de sempre para para provar o melhor dos vinhos portugueses que temos. Não sei se para trás ou para a frente podem ser as melhores e não exatamente.
45:42Francisco Gaspar:Há muita inovação. Tentar muita coisa a acontecer no mundo do vinho, muito por força daquilo que é a necessidade que os jovens têm também de inovar, de terem um produto que seja equiparável a uma cerveja, por exemplo. Não é? Portanto, o vinho acaba por ser muito legado. Não é uma garrafa de 7,5 ou as garrafas. Não é fácil.
46:06Francisco Gaspar:Numa discoteca, por exemplo, consumir vinho. Vou dar aqui um exemplo Num bar já é mais, já é mais fácil, mas temos que ter capacidade de inovar e também estamos a fazer lo, tentar diversificar aquilo que são os nossos produtos para chegarmos a essas faixas etárias. Também com produtos com mais baixo teor de álcool que mantenham características do vinho em causa.
46:31Francisco Gaspar:E acaba por ser também um desafio para investigação e desenvolvimento interno que acaba por ser feito.
46:38Fábio Gomes:Francisco, passemos agora para o cenário final.
46:44Fábio Gomes:Sumário A oportunidade de acelerar uma transformação digital profunda no grupo de dados integrados e aplicável ao negócio. Automação de processos, mais controlo operacional e uma infraestrutura mais inteligente. O ganho em eficiência e resiliência pode ser grande, mas a mudança cria resistência cultural, aumenta a dependência tecnológica e obriga a decisões difíceis sobre dados de segurança e processos. Esse é o cenário mais.
47:10Francisco Gaspar:Vamos ver se depois vamos recordar tudo.
47:12Fábio Gomes:Cenário ver as coisas. Uma transformação mais gradual, com menor fricção e maior proteção da cultura existente. As equipas sentem menos choque e a tradição é preservada, mas a organização pode perder velocidade, eficiência e capacidade de competir com operadores mais digitais.
47:28Francisco Gaspar:Eu acho que tem que ser o melhor de dois mundos. A opção C e o que são claramente cromas são na opção A têm que. Resumindo.
47:37Fábio Gomes:Isto é antítese.
47:38Francisco Gaspar:E avançarmos é o que se vê tanto de claramente não tem tem raiz e tem que haver aqui um balanceamento, mas também a opção B, o ficar parado à espera que algo aconteça, provavelmente não vai acontecer, o que é saudável e nós conseguimos perceber e falar. Mas tem um ponto interessante que é a dependência tecnológica. É algo que eu tento não ter em todos os projetos que executamos ou que idealizamos.
48:09Francisco Gaspar:Temos que ter capacidade de poder suportar o projeto No fim do dia, de facto, temos um problema há uma dependência grave na organização e temos que ter a capacidade de não só avançar, reduzir as dependências com capacidades internas, de poder suportar a solução, independentemente da solução que seja. E no fim do dia, com os pés bem assentes na terra, sabermos o que é que estamos a fazer.
48:37Francisco Gaspar:Tanto é que se correr mal, previsivelmente, sabíamos antecipadamente que poderia correr mal e estamos preparados para termos essa visão clara, saber onde é que pode correr mal. Mas se existirem certezas em relação ao objetivo final, temos que avançar. Não podemos muitas vezes porque temos um problema ficar parados. Não há solução. Existe. Avançamos e tendo capacidade interna de suportar o projeto, é muito mais tranquilo, porque mesmo que exista depois uma dificuldade, vamos ter capacidade de a ultrapassar.
49:07Francisco Gaspar:Não ficamos dependentes. Essa é a abordagem. Tentei a opção C aqui, um mix dos dois cenários e esse é que é virtuoso para poder ter sucesso na mistura.
49:17Fábio Gomes:Olha Francisco, obrigado por teres vindo ao nosso Portugal.
49:20Francisco Gaspar:Agradeço.
49:20Fábio Gomes:Foi um prazer falar contigo.


